De onde surgem as inspirações para o revestir?

Vamos meditar hoje sobre em qual fonte podemos beber para inspirar o revestimento. Então, propomos elucidar a reflexão de Gottfried Semper que conduziu à formulação do princípio do revestimento (Bekleidung) na arquitetura, fundamentado na prática têxtil. Tal princípio está relacionado, de certo modo, a uma investigação sobre as origens da arquitetura, e por outro lado, ao desenvolvimento histórico de várias culturas. Com este embasamento visto na forma de morar de vários povos, procura Semper demonstrar que a importância do revestir não é somente uma teoria, mas pode ser legitimado na prática.

Semper refletiria sobre a superfície da arquitetura, ele buscaria com afinco um meio de criar regras para tal ‘pele‘ (o revestimento) estrutural em contraposição à estética idealista alemã. Ele faria uma oposição ao romantismo desta estética, numa busca pela objetividade na arte e na estética do morar.

O que vale ressaltar é o empenho dele em organizar certos padrões estéticos para os revestimentos, sendo considerado o “fundador” dos princípios que norteariam o que é o revestimento como o vemos hoje.

Assim, as inspirações em concreto arquitetônico surgem de pesquisas, do que confere motivação ao comportamento humano em relação às artes e por consequência em relação ao design, ao jeito do morar. E devemos creditar muito da importância das inspirações às bases teóricas de Semper.

Em busca de tal revestir, ele credita ao entrelaçamento de fibras vegetais a construção das paredes, e inclui padrões de nós e formas de tecer tais fibras, que em muito lembram a paginação dos revestimentos atuais. Para ele, os formatos teriam uma função determinada.

Ele, ainda, defende o uso de tecidos ou o elemento têxtil superfície de revestir importante e versátil. Salienta que tapetes em antigas civilizações serviram como divisão para os ambientes. Então o tecido é passível de estar em nossas paredes como forma de revestimento também, vemos isso nos primeiros papéis de parede também com estampas bem correlacionadas àquelas de tecidos.

Incrível como ele lançaria com este olhar, de alguma forma, uma das propriedades dos revestimentos contemporâneos, tantas e tantas vezes utilizados como elemento que delimita ou que inclui um ambiente a outro.

De acordo com pesquisa recente da WGSN/ INSIDER sobre lifestyle as superfícies ganham riqueza através das texturas, da sensação de maciez e leveza e de um toque aconchegante. Nada como os tecidos como inspiração sobre texturas e suavidade.

 

Pele que habitamos

 Ela está cada vez mais frágil, a terra, o clima, e a natureza precisa para nosso conforto estar em casa, nem que seja como um alerta constante de uma atitude ecológica que não pode mais voltar atrás. Precisamos dessa essência que ela nos oferece, da madeira, latão, cobre e mármore. Bem diria Semper, se aqui estivesse, os artefatos que construímos no início das primeiras casas voltam como nunca, no mundo contemporâneo precisamos de uma pele forte e segura contra os ataques de tantas informações, de tantos dados, queremos o natural que embasa, cria raízes, traz o aroma que antes conhecíamos nas florestas, na idade média do cobre e no mármore romano.

Há uma necessidade de leveza no sentir, mas que as superfícies nos tragam via revestir a vivacidade, os contornos e o simples nobre que a natureza consegue com tamanha beleza.

Marc Kushner, co-founder of design studio HWKN e conhecido pelo site Architizer, traz à tona em seu livro: The Future of Architecture In 100 Buildings o seguinte debate: tal empetecamento futurístico dos edifícios, das artes é mera reação ao mundo digital. Kushner ao menos propõe algumas reflexões: não podemos responder hoje se a arquitetura fará dos edifícios um exemplo de sustentabilidade ou mesmo organismos vivos, nem seu livro pode responder a isso. Mas a que se simplificar o modo como reagimos ao mundo hoje, apenas reagimos, não agimos ou observamos.

Aqui no blog propomos esta reflexão: qual a pele que habitamos? Que casa é essa a minha, como o seu revestir reflete meus valores, alegrias e dores.

Num mundo que pode certas padronizações de comportamento vistos como normais, enquanto o mundo todo sofre de escassez de água, apagões, conflitos, como será esse revestir.

Quem sabe Semper nos guie para uma textura objetiva, sem deixar de ser arte e design, é o que afinal todos desejamos.

  • O que é esta tal de estética idealista alemã – Seria a busca da natureza pela inteligência, a grosso modo, o oposto do que Semper Ele buscava a objetividade da natureza e sua aplicação na arquitetura.

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